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24/nov/2009 às 10:58

TECNOLOGIA GARANTE MORADIA E FORMAÇÃO PARA AGRICULTORES FAMILIARES

     O Brasil possui um déficit habitacional de 1,7 milhão de moradias nas comunidades rurais brasileiras. O número, divulgado pela Fundação Pinheiro, é referente ao ano 2000. No intuito de disseminar o conhecimento a respeito do financiamento habitacional para agricultura familiar foi fundada, em 2001, a Cooperativa de Habitação dos Agricultores Familiares (Cooperhaf). Desde então, ela desenvolve a tecnologia Caprichando a Morada que, além de fornecer assessoria voltada à habitação, é um pólo de formação voltada aos trabalhadores do campo. "Não construímos apenas casas, construímos lideranças", afirma Celso Ludwig, coordenador do projeto. Até 2009, o Caprichando a Morada já atendeu 30 mil famílias em 12 estados brasileiros. A iniciativa concorre ao Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2009, que irá premiar oito vencedores com R$ 50 mil (cada) na noite de hoje, (24/11).

       O principal objetivo do Caprichando a Morada é assessorar, planejar, construir e reformar habitações no meio rural, buscando a melhoria na qualidade de vida das famílias. Para isso, a tecnologia faz planos e projetos para melhoria das habitações, assessoria e intermediação da compra de materiais de construção, e a fiscalização e implementação de projetos. O projeto ainda fomenta o associativismo através da construção das casas em mutirões. Ludwig explica que, por meio do Caprichando a Morada, os agricultores passam a conhecer linhas de financiamento como a Carta de Crédito - Operações Coletivas, o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH), o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (Fnhis) e o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR - Minha Casa, Minha Vida).

       A previsão da Cooperhaf - sediada em Santa Catarina - é de que, em 2010, o programa atenda mais 10 mil famílias, com a reforma ou construção de moradias. O coordenador comenta que o grande diferencial do Caprichando a Morada é que, paralelamente ao projeto de infra-estrutura, existe um projeto social: "a revolução está em enxergar o tijolo como um instrumento de didática". Os agricultores familiares atendidos pela tecnologia contam com uma formação que abrange o estudo de quatro cadernos, feita em reuniões de sensibilização, visitas domiciliares e encontros com os beneficiários. Os temas dos cadernos utilizados são: Orientações para a Construção Habitacional, Organização da Agricultura Familiar/Associativismo e Cooperativismo, Construindo um Ambiente Saudável e Sustentável, e Gestão Financeira e Social da Propriedade.

       Depois dos encontros de formação com os agricultores, os técnicos da localidade capacitados pela Cooperhaf fazem um levantamento de questões prioritárias para os agricultores familiares da região. Esses dados, além de informações técnicas sobre as construções, ficam disponíveis para gestores da tecnologia no Sistema de Informática do Caprichando a Morada. Criado em 2005, o sistema abriga o cadastro dos agricultores a serem beneficiados, o cadastro dos fornecedores (as lojas locais de materiais de construção), notas fiscais e fotos das atividades. Relatórios para o acompanhamento pela Cooperativa e pelas entidades financeiras envolvidas (Bancos, Ministérios e Secretarias) também ficam disponíveis. "Muitas vezes, é a própria liderança dos agricultores de uma localidade que deve inserir dados no nosso sistema. Assim, o programa também atua em inclusão digital", afirma Ludwig.

 Prêmio

       Criado em 2001, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social está na 5º edição e conta com a parceria da Petrobras e o apoio institucional da Unesco e da KPMG Auditores Independentes. Realizada a cada dois anos, a premiação certifica tecnologias sociais selecionadas segundo critérios de reaplicabilidade, efetividade da transformação social e interação com a comunidade. Das 114 experiências certificadas, foram escolhidas 24 finalistas, de acordo com critérios de mérito, efetividade e resultado alcançado. Esse ano, o prêmio teve 694 inscritos.

      As 24 finalistas estão divididas em oito categorias, que serão representadas por uma vencedora cada: Região Sudeste, Região Norte, Região Nordeste, Região Sul, Região Centro-Oeste, Direitos da Criança e do Adolescente e Protagonismo Juvenil, Gestão de Recursos Hídricos e Participação de Mulheres na Gestão de Tecnologias Sociais. Assim, o Caprichando a Morada concorre com outras duas tecnologias na categoria Região Sul que foi representada por 139 inscritos. No ranking nacional de número de inscrições, Santa Catarina ficou em 9º lugar, com 23 projetos.   

As tecnologias são representadas por instituições legalmente constituídas no País, de direito público ou privado, sem finalidades lucrativas.

 Tecnologia Social

       O conceito de Tecnologia Social compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social. As tecnologias sociais podem aliar saber popular, organização social e conhecimento técnico-científico na disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras. As tecnologias sociais certificadas integram o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil, que reúne informações como problemas solucionados, soluções adotadas, municípios atendidos, recursos necessários para implementação e formas de transferência, entre outros detalhamentos das tecnologias sociais certificadas. O banco de dados está disponível da internet.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa Fundação Banco do Brasil